A crise política no grupo do governador Fábio Mitidieri (PSD) em Sergipe escalou para um ponto de ruptura irreversível nesta quinta-feira (12 de fevereiro de 2026), com o ex-deputado federal e pré-candidato ao Senado André Moura (União Brasil) declarando abertamente que não permanece no mesmo agrupamento político que o senador Alessandro Vieira (MDB).
Tudo começou na véspera, durante entrevista ao *Jornal da Fan, na *FAN FM, quando Alessandro Vieira disparou críticas pesadas contra André Moura. Questionado sobre as diferenças entre os dois nomes apoiados pelo governador para o Senado, o senador afirmou que André “acorda todos os dias esperando a PF bater em sua porta” e completou: “Sempre, ele sabe disso”. As falas foram interpretadas como ataques diretos, reacendendo antigas tensões e expondo as divergências ideológicas e de estilo político entre os dois.
Em resposta imediata, também na FAN FM, André Moura rebateu com veemência. “Eu não fico no agrupamento político que estiver Alessandro Vieira, eu não subo no mesmo palanque”, declarou o ex-deputado ao jornalista Narcizo Machado. Ele reforçou que não há mais condições de caminhar junto e que o rompimento é definitivo, ampliando o clima de instabilidade na base governista.
Nos bastidores, a movimentação sugere que Alessandro Vieira tem interesse claro em afastar André Moura da composição majoritária. Fontes políticas apontam que o senador pode estar atuando para abrir espaço ao senador Rogério Carvalho (PT), atual ocupante de uma das cadeiras sergipanas no Senado e aliado próximo do presidente Lula. Há especulações de que Alessandro teria um acordo velado com Rogério Carvalho para pressionar o governador Mitidieri a aceitar o rompimento com Moura, permitindo a inclusão do petista na chapa ou em uma aliança mais ampla. Essa articulação ganharia força com o desejo de consolidar um palanque forte para Lula em Sergipe em 2026, unindo governistas e petistas — algo que Mitidieri já sinalizou disposição em discutir em entrevistas recentes, sem descartar entendimentos com Rogério.
O governador Mitidieri tem tentado apaziguar os ânimos, classificando algumas declarações como “infelizes” e defendendo o diálogo e a serenidade. Ele reiterou lealdade à chapa original (com Moura e Vieira), mas admitiu a necessidade de “ajustes”. Apesar disso, o posicionamento público de André Moura torna difícil qualquer remendo rápido, e aliados de ambos os lados monitoram os próximos passos.
A situação expõe fissuras profundas na aliança anunciada por Mitidieri e pode redefinir completamente o tabuleiro eleitoral sergipano nos próximos meses, com impactos na disputa ao Senado e na governabilidade do grupo. Até o momento, nem Alessandro Vieira nem Fábio Mitidieri comentaram oficialmente a declaração mais recente de André Moura, mas o episódio já é considerado um divisor de águas na política local.


