Conforme antecipado pelo Aracaju 24h em 20 de agosto, foi confirmada nesta quinta-feira (12) a mudança no comando do Partido Liberal (PL) em Sergipe. A vereadora Moana Valadares assume interinamente a presidência da sigla até que seu esposo, o deputado federal Rodrigo Valadares (atualmente no União Brasil), oficialize sua filiação na janela partidária em abril de 2026.
A decisão representa um duro golpe nos planos do empresário Edivan Amorim, que comandava o PL no estado há quase duas décadas e articulava o retorno de seu irmão, o ex-senador Eduardo Amorim, como candidato ao Senado em 2026.
O desgaste de Edivan
Apesar de ainda contar com aliados importantes, como a prefeita de Aracaju Emília Corrêa e o ex-prefeito de Itabaiana Valmir de Francisquinho, Edivan vinha acumulando derrotas eleitorais. A última vitória de Eduardo foi em 2010, quando conquistou o Senado. Desde então, foram sucessivas derrotas para o governo em 2014 e 2018, além do fracasso na tentativa de retorno ao Senado em 2022, mesmo com pedido de voto do então presidente Jair Bolsonaro.
Nos bastidores, a soma dessas derrotas e a falta de sintonia com a direção nacional, que busca tornar o PL mais bolsonarista, minaram a força de Edivan no comando do PL.
O peso de Bolsonaro e Valdemar
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou que tanto Valmir de Francisquinho quanto seu filho, o deputado Ícaro de Valmir, foram consultados, mas recusaram assumir a presidência estadual em respeito a Edivan. A prefeita Emília Corrêa também não aceitou a missão.
Com isso, o caminho ficou livre para Rodrigo Valadares, nome de confiança do ex-presidente Bolsonaro. Interlocutores avaliam que a mudança foi discutida há meses e teve influência direta de Bolsonaro, que defende candidatura única ao Senado nos estados onde a direita é menos consolidada. Nesse cenário, a presença de Eduardo Amorim poderia dividir votos e recursos do Fundo Eleitoral, prejudicando a estratégia nacional do partido.
Risco de esvaziamento
A queda de Edivan pode provocar um esvaziamento do partido. O delegado André David (atualmente no Republicanos) já sinalizou que seguirá com o grupo Amorim, e Valmir de Francisquinho deve tomar o mesmo rumo. Emília Corrêa, por sua vez, não indicou nenhum nome para a nova executiva apesar do convite de Rodrigo Valadares, sinalizando apoio velado ao antigo dirigente.
Com isso, embora Rodrigo garanta sua candidatura ao Senado pelo PL, terá dificuldade em montar chapas competitivas para a Câmara dos Deputados e para a Assembleia Legislativa em 2026.
A alternativa Republicanos
Do outro lado, o grupo de Edivan parece se articular para migrar ao Republicanos, partido que pode lançar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, à Presidência. O grupo, que nunca buscou se aproximar de Bolsonaro, parece enxergar em Tarcísio uma direita mais moderada, capaz de atrair votos bolsonaristas sem carregar o peso das polêmicas do ex-presidente, hoje inelegível e condenado, e sem precisar de aliar a direita que eles consideram mais radical liderada por Rodrigo Valadares.
Essa estratégia pode dar sobrevida ao grupo Amorim, ao passo que fragiliza Rodrigo, que dependerá do prestígio de Bolsonaro em um cenário nacional adverso e não favorável ao ex-presidente.



