Um fato relevante sacudiu a política nacional nesta terça-feira (2). Em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e a denúncias de abusos feitas pelo ex-assessor de Alexandre de Moraes envolvendo o Ministro do STF, o União Progressista (UP) — federação formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP) — anunciou sua saída da base de apoio ao presidente Lula.
O movimento já era defendido pelos principais líderes dos partidos a nível nacional, como o ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, o governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado – ambos do União Brasil – e pelo senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas e estava previsto apenas para março de 2025.
A antecipação se deu após pressões internas e parece ter ganhado força com a visita do deputado Arthur Lira (PP/AL), ex-presidente da Câmara, a Bolsonaro em sua prisão domiciliar no último dia 1°, um dia antes do anúncio. Nos bastidores, a visita é interpretada como parte da costura de um acordo para consolidar a candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à Presidência, com apoio de Bolsonaro e do Centrão.
Na mesma decisão, a federação assumiu compromisso público com a pauta mais cara à direita: a aprovação de uma anistia ampla, geral e irrestrita, que beneficiaria inclusive Bolsonaro. O gesto reforçou especulações de que há, de fato, um pacto sendo costurado entre o ex-presidente e lideranças do Centrão.
A pressão direta de Lula contra os presidentes da federação, Antonio Rueda (União) e Ciro Nogueira (PP), também contribuiu para a ruptura. O presidente cobrou lealdade e criticou declarações de ambos contra o governo, o que gerou desconforto e acelerou o desembarque.
Reflexos em Sergipe
Em Sergipe, a decisão afeta diretamente o ex-deputado federal André Moura (União), que comanda a federação no estado e possui indicações no Ministério da Saúde de Sergipe. O senador Laércio Oliveira (PP), por sua vez, viu com bons olhos a saída da base em entrevista na TV Atalaia, defendendo que o UP precisava “tomar posição” para se fortalecer. Assim como André, Laércio tem apadrinhados na Codevasf, órgão federal.
Em relação aos posicionamentos políticos a nível nacional, tanto André Moura como Laércio mantém histórico de oposição a Lula e ao PT. Moura tem em seu histórico a articulação do Impeachment da ex-presidente Dilma Roussef e projetos na área de segurança pública, como a redução da maioridade penal aprovada na câmara em 2015.
Já Laércio apoiou Bolsonaro em 2022 e assinou o recente pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
Tais posicionamentos entram em conflito com os interesses de ambos em Sergipe. Laércio apoiou o pedetista Luiz Roberto na disputa pela Prefeitura de Aracaju em 2024. Já André Moura segue em silêncio sobre os temas sensíveis a direita e não faz críticas ao governo Lula, e pode ser pressionado pela liderança nacional da federação, o senador Ciro Nogueira, a tomar posição em defesa dos interesses da executiva nacional.
Com a mudança de rota nacional, o cenário estadual também deve se reconfigurar. O ex-deputado Capitão Samuel, recém-filiado ao União Brasil, tem ganhado projeção. Conhecido por liderar o movimento “Fora Lula” em Sergipe, Samuel passou a ser visto como um possível nome da federação para disputar votos do eleitorado bolsonarista no estado.
A saída de Rodrigo Valadares para o PL abre espaço para que Samuel assuma esse papel, alinhando a atuação do UP em Sergipe ao novo posicionamento nacional da federação.
O xadrez de 2026
A saída da maior federação partidária do Brasil da base de Lula e sua aproximação com a direita redesenham o tabuleiro político às vésperas de 2026. No plano nacional, o movimento fortalece a candidatura de Tarcísio de Freitas e dá sobrevida ao capital político de Bolsonaro. Já em Sergipe, a questão central é saber quem representará esse novo alinhamento. Será Capitão Samuel o nome que melhor atenderá aos interesses nacionais da federação? O tempo responderá muito em breve.


