Aracaju, 01 de setembro de 2025 – A política sergipana vive momentos de tensão no Partido Liberal (PL), com uma possível debandada em massa ameaçando esvaziar a legenda caso o deputado federal Rodrigo Valadares assuma o comando estadual. Fontes próximas ao grupo liderado pelo ex-presidente do PL em Sergipe, Edivan Amorim, revelam que o atrito entre os dois políticos pode culminar em uma saída coletiva, vista como uma estratégia de chantagem para pressionar Valadares a recuar de suas ambições, que incluem disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026.
De acordo com declarações recentes de Edivan Amorim, o deputado federal Rodrigo Valadares estaria articulando diretamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro para tomar o controle do partido, o que gerou insatisfação profunda no agrupamento atual. Amorim, que comandou o PL por anos e construiu uma base sólida no estado, afirmou que, se Valadares assumir a presidência, ele e seu grupo migrarão para outra sigla, muito possivelmente o Republicanos.
Em Sergipe, o Republicanos é comandado pelo deputado federal Gustinho Ribeiro, que busca turbinar a chapa do partido na disputa por cadeiras na câmara federal em 2026, cargo para o qual ele concorre a reeleição. O partido já conta com outro nome de peso: O delegado André David, que atualmente está à frente da Secretaria da Defesa Social e da Cidadania em Aracaju. O delegado também se mostra bastante alinhado a Edivan Amorim e é um dos nomes mais fortes do grupo na disputa ao cargo de deputado federal.
Essa movimentação é interpretada por analistas como uma forma de chantagem, visando forçar Valadares a reconsiderar sua estratégia ou, no mínimo, negociar termos mais favoráveis ao grupo de Amorim. Além desse movimento de esvaziamento do PL, estaria em jogo também o comando da Secretaria de Assistência Social no município de Aracaju, até então nas mãos da mãe de Rodrigo Valadares, Simone Valadares.
A debandada não se limitaria a figuras secundárias. Nomes de peso como o prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho, o deputado Ícaro de Valmir e o vereador Lúcio Flávio já intensificaram conversas sobre uma possível saída coletiva. Mas o caso que mais chama atenção é o da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, que sempre se posicionou como independente dentro do partido. Corrêa, que tem se aliado a Amorim em articulações recentes, tende a acompanhar o grupo caso Valadares assuma o comando, o que surpreende observadores pela aparente lealdade ao ex-líder em detrimento da legenda.
Essa possível migração levanta questões profundas sobre a natureza das alianças políticas no PL sergipano. A lealdade de políticos como Emília Corrêa, Lúcio Flávio, André David e outros está verdadeiramente atrelada à sigla partidária ou é pessoal, vinculada à influência de Edivan Amorim? Críticos apontam que o episódio expõe a fragilidade das estruturas partidárias, onde figuras carismáticas como Amorim detêm mais poder que as próprias instituições. “O movimento de Valadares pode ser ambicioso, mas arriscado, pois ameaça desestabilizar toda a base da oposição no estado”, comentou um analista político local.
Enquanto isso, as articulações nos bastidores continuam intensas. Amorim tem reunido aliados para “preparar artilharia” contra Valadares, sinalizando que o embate está longe de terminar. Valadares, por sua vez, segue confiante em seu apoio junto a Bolsonaro e mira não só o controle do PL, mas uma candidatura forte ao Senado, coordenando uma chapa de direita em Sergipe. O desfecho dessa disputa pode redefinir o mapa político do estado, com impactos diretos nas eleições municipais de 2024 e nas gerais de 2026.
O PL nacional ainda não se pronunciou oficialmente sobre o imbróglio, mas fontes indicam que o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, já teria dado a palavra ao deputado Rodrigo Valadares e estaria relutante em recuar e ceder a pressão do grupo ligado a Edivan Amorim. A prefeita Emília e Valmir de Francisquinho teriam viajado até Brasília na semana passada para pressionarem Valdemar. Só o tempo dirá se a investida dará certo.



