Jovens com linhagem política, mas com ideias novas, se destacam no Nordeste.
Jovens com linhagem política trazem novas ideias e despontam na disputa pela gestão de capitais do Nordeste.
O gene político com certeza está entre os mais dominantes da história do Brasil. Como outras características hereditárias, ele se perpetua por famílias, atravessando gerações e sobrenomes que fazem parte do imaginário de milhões de cidadãos.
Distante do que se imagina, felizmente já não vivemos mais um cenário em que a ocupação de cargos políticos por membros da mesma família significa uma homogeneidade em suas atuações e valores. Alguns exemplos dessa quebra de ciclos estão em três capitais do Nordeste.
As capitais de três estados no Nordeste têm em seu comando ou como pleiteante à gestão três figuras jovens que aliam a experiência familiar com genes recessivos de mudança e empenho. JHC, João Campos e Yandra, das cidades de Maceió, Recife e Aracaju, respectivamente, trilham esse caminho.
Os dois primeiros estão no comando de prefeituras, e chegam na corrida pela reeleição com altos índices de aprovação. Já Yandra é a candidata mais nova à Prefeitura de Aracaju, contando com o fato de que, em 2022, foi eleita a primeira deputada federal pelo estado de Sergipe com número recorde de votos: mais de 131 mil.
Antes de ser prefeito, João Henrique Caldas foi deputado federal por Alagoas entre 2015 e 2021. Filho de Eudócia Caldas, ele superou as críticas à gestão de sua mãe na prefeitura de Ibateguara, no interior do estado, e tem uma administração aprovada por 74,6% da população, segundo levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado em julho. Assim, ele consolida seu nome para a manutenção da linhagem dos Caldas.
Filho de Eduardo Campos e bisneto de Miguel Arraes de Alencar, que morreram em acidente aéreo durante a campanha presidencial de 2014, João Campos foi eleito prefeito de Recife aos 27 anos. Segundo a última pesquisa Datafolha, 70% dos eleitores do Recife aprovam a gestão de João, ao avaliá-la como ótima ou boa.
Esse feito tende a se repetir na capital sergipana. Desta vez, com uma jovem mulher: Yandra Moura, de 30 anos.
Filha do ex-deputado federal, ex-deputado estadual e ex-prefeito de Pirambu, André Moura, e neta do ex-deputado estadual e ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe, Reinaldo Moura, ela vocaliza aos quatro cantos que, se eleita, fará o “trabalho da vida”.
Com um ar de novidade que transpassa a trajetória política de sua família, ela tem consciência da pressão que enfrenta pelo caminho que ainda tem a percorrer, mas afirma que não estará fadada a condenar seu caminho e minar a relação com aqueles que nela têm depositado sua esperança.
Alguns pontos que corroboram essa tese é o fato de que, na Câmara dos Deputados, Yandra se destacou ao assumir cargos de liderança até então não ocupados por mulheres e teve quatro projetos aprovados em um ano e meio.
Na disputa pela Prefeitura de Aracaju, aparece entre as duas primeiras posições nas pesquisas de intenção de voto, em um pleito marcado pela presença significativa de mulheres.
Essas três experiências mostram que nem sempre filho de peixe, peixinho é.