Sem moral, PT de Sergipe pode perder ministério no governo Lula
Em meio à mini-reforma ministerial promovida por Lula para os dois últimos anos de seu governo, um dos nomes que podem ser descartados é o do sergipano Márcio Macedo, atual titular da Secretaria-Geral da Presidência, órgão com status de ministério.
Desde o ano passado, especula-se que Márcio Macedo (PT-SE) possa ser substituído. A situação se agravou após o evento do Dia do Trabalho de 2024, quando Lula expressou insatisfação com a baixa participação popular, atribuindo parte da responsabilidade à articulação do petista. A Secretaria-Geral da Presidência, comandada por Macedo, é justamente responsável pela interlocução do governo com os movimentos sociais.
Com a provável nomeação de Gleisi Hoffmann para o Ministério das Relações Institucionais, pasta encarregada da articulação política do governo, o nome cotado para substituir Márcio Macedo é o do deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP).
Apesar de ter sido derrotado por Ricardo Nunes (MDB) na eleição para a Prefeitura de São Paulo, Boulos mantém forte influência entre os movimentos sociais de esquerda. Sua trajetória inclui a coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o que o credencia como um nome viável para reforçar a conexão do governo com essas bases.
A possível saída de Márcio Macedo do governo Lula representaria mais um indicativo de fragilidade do PT em Sergipe, partido que tem sofrido desgastes políticos após fracassos eleitorais recentes. Em 2022, mesmo com o apoio de Valmir de Francisquinho (PL) no segundo turno, o PT foi derrotado na disputa pelo governo estadual. Já em 2024, conseguiu eleger apenas seis prefeitos entre os 75 municípios sergipanos.
Na mini-reforma ministerial, Lula tem optado por nomes ideologicamente alinhados à esquerda. Além da possível indicação de Gleisi Hoffmann, o presidente já nomeou Alexandre Padilha (PT) para o Ministério da Saúde. Caso Boulos seja confirmado na Secretaria-Geral da Presidência, será mais um nome considerado “radical” por aliados do governo.
Resta saber o que motiva essa guinada de Lula. Seria uma estratégia para reaproximar-se de sua base militante e fortalecer o apoio entre setores mais alinhados à esquerda? Ou o movimento reflete uma dificuldade em atrair quadros do Centrão para ocupar ministérios, especialmente diante do crescimento da reprovação ao governo, que já ultrapassa os 50%, mesmo em estados do Nordeste?