Laércio Oliveira vs André Moura: Quem vai presidir a federação PP/União Brasil em Sergipe?
Membros da executiva nacional da sigla Progressitas (PP), presidida por Ciro Nogueira, aprovaram nesta terça, 18, a federação com o União Brasil, partido comandando por Antonio Rueda. Embora a cúpula do União Brasil ainda não tenha oficializado a decisão publicamente, nos bastidores, a aprovação é considerada certa. O movimento já provoca disputas internas pelos comandos dos diretórios estaduais.
Em pelo menos 10 estados brasileiros, não se chegou a um acordo sobre quem assumirá as conversas sobre quem assumirá o comando dos diretórios estaduais. Um dos estados onde o impasse é mais evidente é Sergipe, que se tornou palco de uma disputa acirrada entre duas figuras de peso: André Moura, atual presidente estadual do União Brasil e secretário de Estado do Rio de Janeiro, e Laercio Oliveira, senador pelo PP e uma das principais lideranças políticas sergipanas.
André Moura x Laércio Oliveira
André Moura, ex-deputado federal e aliado histórico de forças conservadoras, consolidou sua influência no União Brasil desde a criação do partido, em 2022, resultado da fusão entre o Democratas (DEM) e o Partido Social Liberal (PSL).
Já Laércio Oliveira, com trajetória política iniciada na Câmara dos Deputados antes de chegar ao Senado, é um nome forte dentro do PP, contando com o apoio de prefeitos e vereadores. No entanto, enfrenta desgaste interno, principalmente devido a insatisfações de membros da sigla, como o ex-deputado estadual Capitão Samuel e o deputado federal Thiago de Joaldo. Em entrevista recente, Thiago insinuou que o senador seria puxa-saco de integrantes do governo de Fábio Mitidieri.
Tais insatisfações podem pesar na decisão da executiva nacional sobre quem ficará com o comando da federação em Sergipe ou até mesmo levar a cúpula nacional do União Brasil a reconsiderar a federação.
Histórico da federação e impacto nas eleições de 2026
A ideia de unir PP e UB não é nova. Em 2022, após as eleições gerais, líderes como o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), chegaram a sinalizar que a fusão seria um caminho natural pós-pleito. No entanto, divergências locais e a proibição estatutária de que o União Brasil participe de fusões nos primeiros cinco anos após seu registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – ou seja, até 2027 – frearam o processo.
Diante desse obstáculo, iniciou-se a negociação para a formação de uma federação. Inicialmente, o Republicanos, presidido pelo deputado Marcos Pereira, também participaria das tratativas, mas acabou desistindo, deixando apenas PP e União Brasil na negociação.
Com as novas exigências impostas pela cláusula de barreira, que visa reduzir o número de partidos, a federação proporcionaria vantagens significativas, como maior acesso ao fundo partidário e mais tempo de propaganda eleitoral. Combinando os recursos das duas legendas, a federação poderia se tornar a sigla com mais recursos disponíveis para a campanha de 2026, possivelmente superando o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro e atualmente o maior da Câmara dos Deputados.
Por outro lado, no modelo de federação, os partidos devem atuar como uma única sigla por quatro anos. No caso de Sergipe, por exemplo, em vez de cada partido lançar nove candidatos para deputado federal, totalizando 18 nomes, a federação teria que lançar apenas nove, com a distribuição das candidaturas entre as duas legendas. Além disso, nas próximas eleições municipais, os partidos deverão apoiar ou lançar um único candidato a prefeito que represente ambas as siglas.
Desafios e projeções
Analistas políticos acreditam que a federação pode redesenhar o mapa partidário brasileiro e fortalecer a centro-direita, mas alertam para os desafios de conciliar interesses regionais.
“A força de um partido unificado dependerá de como essas lideranças locais vão se alinhar. Em estados como Sergipe, onde há uma clara queda de braço, o resultado pode definir o tom das negociações em outras regiões”, avalia o cientista político João Mendes.
Enquanto as tratativas avançam em Brasília, o cenário em Sergipe segue indefinido, com André Moura e Laércio Oliveira disputando influência nos bastidores. A resolução desse embate pode ser um indicativo do futuro da federação em nível nacional. Resta saber: quem sairá vitorioso nessa disputa?