A estratégia de Emília pode dar certo para as eleições mas pode custar caro para a governabilidade.

Emília segue os passos de Bolsonaro se isolando contra o “sistema”. Para as eleições, a estratégia funciona, mas para governar, o exemplo do próprio Bolsonaro, mostrou que não.

Em matéria de política limpa, se é que ela existe no mundo atual, o Brasil é um dos últimos países onde podemos imaginar a sua realização. Isto acontece por diversos motivos, mas o principal é a corrupção instalada em todas as esferas de nossa sociedade e em níveis tão altos que já se tornou algo normal e aceito pelo inconsciente coletivo.

Bolsonaro foi eleito em 2018 isolado, com 8 segundos de tempo de TV, estava contra tudo e contra todos e assim permaneceu. Moralmente, é o correto a se fazer quando tudo está corrompido, mas na prática, isto resultou no primeiro governo desde a “redemocratização” em que o presidente foi praticamente impedido de governar. O congresso, o judiciário, a mídia, as universidades e os sindicatos estavam unidos contra o primeiro presidente da história que tentou jogar limpo por vias democráticas. Em certo momento, chegaram até a se falar em mudar o sistema de governo para Parlamentarismo, tudo isto para barrar um governo que não distribuía cargos por critérios políticos, não comprava o congresso, nem patrocinava a grande mídia.

Nas eleições municipais de Aracaju, Emília se blindou com um discurso antissistema, o mesmo utilizado pelo ex-presidente, e procura vencer as eleições cumprindo à risca este discurso, mantendo a coerência e se isolando. Há boatos – obviamente isto não quer dizer que é verdade – até de uma negativa por parte de Emília de conversar com Yandra no segundo turno. Acontece que, governar somente com dois vereadores e remar contra André e Mitidieri, e de quebra contra os sindicatos petistas e psolistas, que mesmo com pouco poder fazem muito barulho, de uma vez só é uma aventura quase suicida.

O PL teve um fundão considerável nestas eleições, mesmo assim, não teve êxito nas eleições para Câmara de Aracaju, apenas dois vereadores foram eleitos, enquanto as siglas de André e de Mitidieri contém a ampla maioria. Governar nesta situação pode custar caro à primeira prefeita da história de Aracaju. O preço à pagar por projetos aprovados podem atrapalhar e muito a realização das promessas de campanha, e com o partido proibido de se aliar ao PT e ao PSOL como tentou fazer Valmir nas eleições passadas, na oposição também estará a base barulhenta de sindicalistas. Vale ainda lembrar que Bolsonaro tinha uma grande parcela do povo ao seu lado, um povo que movidos pela força do discurso ideológico ia às ruas pressionar para que seus projetos fossem aprovados e mesmo assim, esta maré de gente não venceu o aparato burocrático de Brasília. Como Emília pretende fazer isto na esfera municipal sendo que ela mesma se priva do discurso ideológico no qual pode movimentar as massas em seu favor é ainda um mistério.

Add a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *